The Walking Dead chegou ao seu fim, após 11 temporadas e 177 episódios. A última season finale foi ao ar neste domingo (20) e encerrou a jornada para boa parte dos sobreviventes (ainda veremos vários deles nos spinoffs).

Como de costume após cada episódio de The Walking Dead, os sites internacionais fazem entrevistas com elenco e produtores, que revelam curiosidades dos bastidores e expectativas para o futuro.

Nesta entrevista exclusiva, o site Comicbook entrevistou Greg Nicotero, um dos nomes mais antigos em The Walking Dead, que comentou sobre como foi fazer o retorno de Rick Grimes e o futuro da franquia com o Universo TWD.

Nicotero está desde a 1ª temporada de The Walking Dead como o responsável pela maquiagem dos zumbis e efeitos especiais. Além disso ele foi o diretor do último episódio da série.


Pergunta: Você concluiu The Walking Dead com um final esperançoso e feliz, e esta comovente montagem prestando homenagem aos mortos e aos vivos. Por que foi importante terminar a série dessa maneira?

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Nicotero: Bem, a série sempre foi a jornada de Rick Grimes. Não dá para realmente encerrar a história de The Walking Dead sem Rick Grimes. Não parecia certo, não parecia autêntico.

E eu vou ser sincero, nós hesitamos um pouco sobre isso. Pois não queríamos interferir nos arcos dos personagens de Daryl, Negan, Maggie, Ezekiel e Gabriel. Não queríamos fazer isso, então não queríamos que fosse uma situação em que eles estivessem lutando contra zumbis, e então Rick Grimes aparecesse para salvar o dia.

Queríamos mostrar o arco da história que os roteiristas criaram nos últimos 30 episódios, mas não poderíamos terminar The Walking Dead com Rick Grimes sendo levado em um helicóptero e sem ter nunca mais uma menção a ele.

Portanto, foi muito importante para nós realmente encerrar a série do jeito que começou, que é ver quem é essa pessoa e onde ela está em sua jornada, e prestar homenagem aos personagens que perdemos.

Quando estávamos filmando, houve um dia no set em que os editores montaram um clipe de um segundo de cada episódio que fizemos. Então foram quase 180 segundos, cerca de três minutos. E eu assisti quando estava filmando no set um dia e fiquei impressionado com a jornada que fizemos juntos, onde a série começou, e os personagens como Shane, Lori, Andrea e Glenn. E houve tanta história contada nos últimos 12 anos que não dava para terminar a série sem lembrar dessas pessoas.

Pergunta: O epílogo de Rick e Michonne une o final de The Walking Dead e o início desta nova série. Conte-me sobre como isso surgiu.

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Nicotero: Filmamos essa sequência nos dias 8 e 9 de agosto deste ano. Então encerramos The Walking Dead, eu acho, em 1º de abril. E então foi escrito por Scott Gimple, e Andy [Lincoln, o Rick] deu muita contribuição, assim como Danai [Gurira, a Michonne], então foi realmente uma grande oportunidade para mim estar ao lado de Scott Gimple novamente, porque ele não foi o showrunner de The Walking Dead nas últimas temporadas.

Mas a ideia realmente era que fossem essas imagens curtas e impressionistas que nos dizem que Rick ainda está vivo e ainda está lutando para chegar em casa, e Michonne está por aí e ela ainda está lutando para encontrá-lo.

E naquele momento particular, eles estavam pensando um no outro, e estavam pensando nas pessoas que amam e nas pessoas que perderam. E saber que a razão pela qual eles ainda se dedicam à sua luta é por causa das pessoas que perderam e das pessoas que amam. Então, era disso que se tratava. E, sem dúvida, sinto que capturamos esse espírito e o espírito de seguir em frente com o que o mundo reserva para eles.

Pergunta: Como diretor, você teve a grande tarefa de encerrar essas 11 temporadas, concluindo a história de The Walking Dead, despedindo um personagem principal, fechando portas, abrindo novas portas, dizendo adeus – e você teve que fazer tudo isso em 64 minutos. Qual foi o maior desafio, filmar ou montar esse final?

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Nicotero: Bem, havia muita – vou ser sincero – pressão, era bastante sufocante às vezes. Tive todo o apoio do elenco e da equipe, de todos. Mas [havia a pressão] de chegar a esse ponto e saber que tínhamos muita história para contar em um curto espaço de tempo e que tínhamos que encerrar tudo.

Mas a equipe foi fantástica, realmente me apoiou. Sinto que evoluí muito como cineasta desde meu primeiro dia em The Walking Dead. Afinal, eu trabalhei na série por 13 anos. Fui contratado um ano antes da AMC comprar a série, para desenvolver o visual dos zumbis.

E provavelmente há cerca de 20 de nós que resistiram desde o início da série, incluindo Norman [Reedus, o Daryl] e Melissa [McBride, a Carol], e alguns produtores e algumas pessoas importantes da equipe.

Mas fiquei grato por poder contar a história de Christian [Serratos, a Rosita], porque acho que ela fez um trabalho fantástico. E a outra coisa é que eu queria realmente adicionar ao episódio eram algumas emoções e calafrios.

As sequências de zumbis, as cenas de luta, todo aquele final em que a gasolina é derramada nas ruas, e a explosão, e as ruas desmoronando. Tinha que ser grande e tinha que ser épico e tinha ter escala e escopo. E todas as instâncias de zumbis que estão lá desde a primeira mordida de Jules na abertura, nós realmente tivemos que encaixar cada pedaço do DNA de Walking Dead ao longo de todo o episódio.

Pergunta: O que levou à decisão de fazer com que Rosita fosse a última morte da série?

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Nicotero: Eu lembro que quase um ano atrás a Christian veio e se sentou no meu escritório e disse: ‘Olha, eu realmente quero algo grande para Rosita.’ E ela estava brincando com a ideia de propor isso, ‘Ela morre?’ E ela disse: ‘Quero partir, quero que seja heróico, quero salvar as crianças. Eu quero fazer algo que deixe minha personagem com um legado.’ E ela estava muito, muito orgulhosa disso. E trabalhamos muito, muito duro para garantir que honraríamos essa ideia. E ao longo série, não houve muitas pessoas que se aproximaram e disseram, ‘Eu quero ser morto na série.’

Mas neste caso particular, ela queria fazer isso porque queria que sua personagem tivesse uma grande história e um grande legado. E acho que ela fez um trabalho incrível. Ela juntamente com Seth [Gilliam, o Padre Gabriel], e Josh [McDermitt, o Eugene], e todos ao seu redor que fizeram aquele momento brilhar.

Estou muito orgulhoso dela e trabalhamos muito, muito duro nessas sequências para garantir que ela conseguisse o que queria para a personagem e que estivéssemos prestando homenagem a ela. Porque, em essência, ela realmente representa muitas outras pessoas que morreram na série. E isso foi algo importante, que tivemos a chance de realmente fazer e fazer do jeito que queríamos.

Pergunta: Como foi filmar aquela última cena de Hilltop entre Daryl, Carol e Maggie, sabendo que esta seria a última vez que eles estariam juntos – pelo menos por um tempo?

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Nicotero: Filmamos aquilo no último dia. Então, no último dia, acho que depois de filmar 30 episódios por quase um ano e meio, nenhum de nós estava realmente preparado para dizer adeus. Não sabíamos como iríamos nos sentir. Naquela manhã, acho que olhei para Norman e disse: ‘Cara, que jornada juntos nós fizemos.’

E foi mesmo, não houve muitas lágrimas e não foi muito triste. Foi mais como, ‘Olha o que fizemos juntos.’ Basta olhar para trás e pensar em quando a série foi ao ar, aquele piloto brilhantemente dirigido por Frank Darabont. E com Chandler [Riggs, o Carl], e Steven [Yeun, o Glenn], e Andy, e Jon Bernthal [Shane], e Sarah Callies [Lori], e Jeff DeMunn [Dale], e Laurie Holden [Andrea], e todas aquelas pessoas que realmente abriram as portas para a série.

Você percebe o que é uma série magnífica. E algo que levarei comigo para sempre é que, com uma série de zumbis, conseguimos mudar a vida das pessoas. Nós realmente fizemos a diferença nos anais da televisão, comparando com Arquivo X, Jornada nas Estrelas, Além da Imaginação e Breaking Bad, e outros programas que causaram tanto impacto nas pessoas. E The Walking Dead fica lado a lado com séries como essas. E isso é algo pelo qual serei tremendamente grato.

Pergunta: Vamos falar sobre a despedida entre Carol e Daryl, os dois únicos personagens que estão na série desde a primeira temporada. O destino de Carol ou aquelas últimas cenas ela mudaram depois que Melissa desistiu do spin-off de Daryl e Carol?

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Nicotero: Não, tudo foi escrito e já estava acertado. Mas a verdade é que esses dois têm uma química muito palpável um com o outro. E muito disso é sobre seus maneirismos. Não é questão das palavras que eles dizem um para o outro, porque as palavras realmente não entram na química que essas duas pessoas têm e nesse carinho que elas têm uma pela outra.

E eu acho que é seguro dizer que só porque Daryl saiu e Carol está em Commonwealth não significa necessariamente que é o destino final deles. Portanto, há muito a ser dito sobre aquele momento, em que Carol estava em paz por estar onde estava. E Daryl estava meio que pronto para seguir em frente, e pronto para sair e ver o que mais existe no mundo.

Pergunta: E sobre o que está acontecendo no mundo: você esteve em Paris trabalhando no spin-off de Daryl Dixon com Norman. O final salta um ano para o futuro e revela vagamente que Daryl esteve explorando as fronteiras. O que você pode dizer sobre Daryl quando ele estiver na França?

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Nicotero: Eu não posso falar muito. Eu creio que envolva um estranho em uma terra estranha, onde estaremos explorando a Europa pós-apocalíptica através dos olhos de Daryl Dixon. E devo dizer que nos divertimos muito. É realmente diferente.

E eu até fiquei meio surpreso, eu mesmo, parando no set e dizendo, ‘Eu estou em The Walking Dead há 12 anos e aqui estamos nós.’ Mas parece algo novo. E David Zabel, nosso showrunner, foi uma alegria absoluta colaborar com ele. E tem sido muito divertido.

Pergunta: Apenas para encerrar, o título do episódio final é “Descanse em paz”. Então, o que deveria estar gravado na lápide de The Walking Dead? Depois de 11 temporadas, 12 anos e 177 episódios, qual você espera que seja o legado de The Walking Dead?

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Nicotero: Eu realmente sinto que o legado de The Walking Dead é que essa pequena e desconexa série de TV realmente uniu as pessoas. Tornou-se uma experiência comunitária. E coisas que as pessoas podem compartilhar, que nunca teriam compartilhado antes.

Fonte CB